Na sombra de um dia bem passado deito-me na relva verde dos sonhos de dias cinzentos. Cai sobre o mundo, sobre mim, uma fina película, de tons laranjas, amarelos e azuis-escuros, que começa a fechar o dia de que passou. Um dia bom. Com pessoas boas.
É nesta pausa, quente de alma e de pele, que eu fecho os olhos e celebro dentro de mim a alegria que é viver neste mundo, com quem me vê e gosta. Com o agasalho felpudo da amizade a embalar o meu coração. Na certeza de que não caminho sozinho, não caminho vazio. Tenho-vos a vós e mais ainda me têm vocês.
Não sabemos ainda que caminho este lusco-fusco esconde por entre o seu brilho. Por entre as pinceladas de quem o pintou. Que nos terá a lua reservado? Por agora espera-nos uma mesa cheia, feliz, onde nos sentamos e deixamos as teias da vida entrelaçarem-se num bonito pano que afasta a solidão e a tristeza.
Risos, caras felizes e comida quente como o ar travado pela janela que nos enquadra. Tudo isto faz de mim uma pessoa. Como uma pessoa deve ser: preenchida, com rumo. Rumo cheiroso, refrescante no verão e apertado no Inverno. Até o amor põe a cabeça de fora e ameaça fazer uma visita.
Mais logo a música louca irá empurrar-nos até às ruas que salpicamos com sorrisos e abraços. Pontas cor-de-laranja iluminam o caminho que percorremos de copo e entusiasmo na mão: a vida é isto. É sentir alegremente as cores de uma memória boa a surgirem por entre o branco da rotina. É excitante ouvir as suas pinceladas vigorosas, os seus contornos a brotarem da ardósia preta que agora ganha cor. Somos felizes. Sou feliz. Aqui e com vocês.
Diogo Lopes

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