Descontraído, vou descendo o caminho por onde desfilam os meus pés contentes. Um e outro. Um e outro. Sempre seguidos, sempre pautados pelo andar solto das pernas que se estendem deles.
O gingar que vai dançando com a gravilha ainda quente dilui-se no ar jovem que as vilas pequenas ganham nos meses em que o sol sobe mais alto. Nos meses do regresso. Nos meses da paixão. Nos meses do cheiro a fruta e peixe grelhado.
Não vou para nenhum lado, não tenho nenhum afazer: simplesmente caminho. Dou umas voltas sem sair do sítio. Onde eu estou agora não se vê néons cor-de-rosa, não se ouvem as gaivotas irrequietas. Nada disso.
Onde eu estou vê-se pouca coisa até. Sente-se mais do que se vê. Vive-se mais. Onde eu estou, o rebentar das ondas desdobra-se no meu peito. Onde eu estou ouve-se as histórias que a areia conta ao ouvido. No sítio onde estou o calor da luz estilhaça a minha pele seca e os sorrisos da vida brilham mais forte. Estou bem.
Deixo o mapa deste sítio solto no ar para que te encontre em qualquer lado. Não o percas. Não o manches. Segue-o só. Onde eu estou há espaço para mais um.
Diogo Lopes

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