Embalado por água pisada, entro no sono que me dá enchimento. Fecho os olhos, deixo a minha cadeira descair e sinto o mundo a levantar-se dos meus ombros. Embrulhado numa nuvem fresca de água, som e descontracção divina encontro o meu lugar. Crónico. Casa. Tanto me tento integrar para quê? Tenho o que preciso em mim. Neste carro de vidros riscados por gotas de chuva que brincam às corridas. Com esta brisa a afagar a minha cara, com estas mãos de ar que sabe bem, com este dedilhar, teclar, que vai completando os buracos que exibo a mim próprio, por dentro.
“Queria dar-te a mão.”
Afinal estou só triste, com frio, num carro molhado pela chuva que encharcou o meu cabelo.
Diogo Lopes

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