As ondas que se vão desdobrando na areia mole do beira-mar trazem-me o teu nome. Na penumbra que se espreguiça e começa a levantar-se, lá, no horizonte quente onde mora, sinto o cheiro do teu cabelo. O cheiro a mar calmo, a areia quente.
Nestes dias que passam por mim sem que eu lhes toque, vou-me apercebendo que estás em todo o lado. Em todas as dobradiças e encaixes dos meus dias. Livros que leio contam-me a tua história. Parágrafos e capítulos inteiros encharcados pela tua luz, pelo teu brilho.
Conheço a tua presença. Noto-a nas noites mais escuras onde o calor adensa o pesar da lua. Noto-a no ponto mais longe desta película azul brilhante que refresca a praia onde estou agora. Conheço a tua presença mas não sei dos teus contornos. Trago sempre comigo de mão dada a frustração de nunca te ter tocado, de nunca te ter deixado escapar de dentro de mim para que pudesse tocar no teu rosto.
O sol brilha: Queima a minha pele. O vento vai e vêm: sinto-o no ondular das dunas onde me sento. Tu tocas no meu ombro e mostras-me o pôr-do-sol: sonhos mentirosos que maravilham mas não crescem.
Já passaram os tempos onde ver-te quando fechava os olhos chegava. Já lá vão as horas onde imaginar o meu braço a proteger-te me fazia sorrir. Quero ter-te na distância de um sopro. Não quero o teu carinho preso na miragem de te ter. Não te quero chuva que cai mas não me molha. Quero-te beijar. Escavar a espuma que turva os meus dias e puxar-te para o meu abraço. Deixar que o vento te leve da montanha onde o destino guarda o que tem para me dar e te faça voar para o futuro colorido, vivo, que faria do teu lado.
Sei que só me resta esperar pela andorinha que do sul virá contigo no coração. Esperar. Esperar, esperar, esperar. É o que me resta. Ficarei neste suspenso até te ver no meu colo, onde as ondas te irão molhar quando o nosso calor ditar a sua sede. Até lá estou aqui: com o fim-do-dia a dar a sua bênção a esta praia onde mora o meu desejo por ti.
Diogo Lopes

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