quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Verde.




Montes e planícies correm ao meu lado  para tentarem fugir do dia que acaba. Não querem o escuro húmido da noite que vem. Não querem que dias passem. Eles já são tão pequenos... 

Mas o céu azul e laranja e amarelo e maravilhoso não lhes liga. Descobriu uma poça onde se tem deliciado a ver o reflexo das suas nuvens. Prolongam-se até serem só ar. A ver o reflexo do eterno que se esconde de todos menos a esta hora... Esta hora em que a noite acorda, rabugenta, e preenche o lugar que o Sol e os seus filhotes ocuparam de manha. É uma hora especial. É uma hora que nunca devia passar.

Diogo Lopes

Aqui.


Por entre fumaças de cigarros vizinhos aprecio o contraste do mármore branco contra o azul do mar e do horizonte. Poças de verde vão tapando os furos deste cenário que recebo, calmamente, como pano de fundo. Para lá da porta do palácio antigo, no meio dos bonitos tons das casas coloridas, emoldurado no silêncio pacífico deste sitio, encontrei um cantinho que tornei meu. Um cantinho de sossego e cafés sem açúcar.

Sentado num degrau desta varanda natural, ao ar livre, vejo fundos de chávenas de papel comporem a textura do conforto que se sente. Aqui. Com as costas na sombra deste bloco de granito deixo o som das folhas embalar a paz destes dias solarengos.

Não penso em nada, não falo, não me mexo. Estou simplesmente aqui. Estou simplesmente aqui a deixar que a brisa leve para lá dos barcos as promessas e os suspiros vãos. Deixo o ferro ferrugento e a calçada cansada abraçar-me e dizer que aqui está tudo bem. Aqui não há confusões nem expectativas. Há mar, há horizonte, há pedra e há verde. Vento também, já tinha dito. Não há maldade. Não há nervosismos doentes de desejos sem relógio nem horário. Não há multidões que trazem solidão.

Aqui a vida esconde as coisas boas e segue em frente sem saber deste intruso que, às escondidas, lhe entrou no coração.

Aqui estar sozinho sabe bem.

Diogo Lopes